Olá galera! Como vocês estão?! Espero que tudo bem e caminhando!
Hoje vim trazer um artigo científico pra vocês. Como a nutrição é um assunto que está muito em alta, é sempre importante tomarmos muito cuidado com assuntos abordados na internet, por isso procuro sempre trazer informações baseadas em livros e artigos científicos, pra te acrescentar conhecimento de qualidade.
O artigo é da Nutricionista Osiane Madalena, e dá muitas informações importantes pras mães e futuros profissionais da nutrição. A doutora também  possui um blog,  Nutrição bem Vinda, onde compartilha temas relevantes e atuais, além de ótimas dicas de nutrição.
E vamos ao artigo, pra acrescentar conhecimento!


Aleitamento Materno

Resumo 

 O aleitamento materno deve ser priorizado nos 6 primeiros meses de vida como prevenção de casos de obesidade futura. Devido a sua composição ser adequada para o metabolismo do infante e fornecer enzimas importantes na regulação da saciedade da criança. O nutricionista profissional responsável pela nutrição e bem estar da população deve atuar através de orientações sobre a importância da amamentação encorajando as mães a amamentar as crianças. Desta forma prevenindo casos de obesidade e outras doenças como também reduzindo gastos públicos futuros.


Introdução

 A composição do leite materno é essencial para o desenvolvimento da criança como também, na redução de infecções. Estudos atuais tem demonstrado que previne obesidade na infância e na vida adulta através de sua composição, pois atua regulando o metabolismo do infante (ALBERNAZ; VICTORA, 2003; BATTOCHIO; SANTOS; COELHO, 2003) Porém existe uma preocupação de que o desejo de amamentar tenha se desgastado, e para contornar essa situação é necessário orientar as vantagens da amamentação na sociedade como escolas, posto de saúde e nas comunidades (VITOLO, 2008). Cabe ao profissional de nutrição fazer um acompanhamento com a gestante explicando os benefícios do leite materno para a criança. Promovendo assim uma vida mais saudável e com menos casos de obesidade (DAL BOSCO; CONDE, 2013; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009). Este artigo tem como objetivo expor as consequências do desmame precoce e sua relação com a obesidade. Demonstrando os benefícios da amamentação com ênfase no papel da nutrição como estimuladora deste hábito.


Metodologia

 Foi realizado um levantamento de artigos e de livros publicados a partir de 1998 com as palavras chaves: Aleitamento materno, nutrição do lactente, amamentação, obesidade, alimentação complementar do lactente, desmame precoce. Foram utilizados os sites de pesquisa BVS, SCIELO, além de sites oficiais e manuais.


Resultados

 No primeiro ano de vida da criança, o crescimento e o desenvolvimento são muito rápidos, até completar dois anos o estado nutricional da criança é reflexo da vida uterina e fatores ambientais. E justamente nesta fase é importante tomar muito cuidado com a alimentação, pois ela reflete por toda a vida da mesma (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2006; BALABAN et al., 2004; CORDEIRO et al., 2013). O aleitamento materno exclusivo até 6 meses de idade, e continuar amamentando até os dois anos de idade juntamente com alimentação complementar, é fator importantíssimo para impedir doenças futuras. O leite materno além de ter menor índice de energia, tem menor quantidade de proteína, além de possuir alto nível de gordura que é muito importante para que o ganho de peso ocorra de maneira mais lenta (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2006). A ingestão de gordura em quantidades adequadas é necessário para prevenir sobrepeso, pois estudos revelam que crianças que já foram desnutridas possuem deficiência na oxidação de gordura (lipólise), resultando assim no seu acúmulo, promovendo a obesidade (ARAUJO; BESERRA; CHAVES, 2006). A amamentação envolve fatores fisiológicos, ambientais e emocionais, sendo que a produção de leite ocorre através da ação hormonal durante a gestação e é aumentada quando a amamentação é feita de forma correta. Esse período é cheio de informações para a mãe com crendices populares, que acabam influenciando de tal forma, que as orientações dos profissionais de saúde são deixadas de lado. O desmame precoce tem sido motivo de preocupação para os profissionais da área, em que apenas 6% das crianças brasileiras recebem leite materno exclusivo somente até 2 meses de vida (ICHISATO; SHIMO, 2001; VITOLO, 2008). Estudos revelam que quando perguntam para as mães sobre o desmame precoce, elas alegam ter pouco leite’’, leite fraco’’ ou que o leite secou’’. Outros estudos mostram reclamações de fissuras no peito e rachaduras. Acredita-se que as mulheres amamentam mais por tradição do que pelo conhecimento das vantagens que o leite materno oferece (VITOLO, 2008). Tem como vantagens diminuição de diarréia, otite média, infecção urinária, leucemia, obesidade, infecções respiratórias, diabetes insulinodependente e não-insulinodependente, hipercolesterolomia, doença de Hodgkin, asma, enterocolitenecrosante. Crianças que são amamentadas tem melhor desempenho intelectual (VITOLO, 2008). Segundo Susinet al.(1998), fizeram um estudo com 405 mães, no Hospital das Clínicas de Porto Alegre e confirmaram que orientações dadas após o parto sobre a importância da amamentação, utilizando vídeos e folhetos enriqueceram o conhecimento das mães, e assim convencendo-as de amamentar, e confirmaram isso através de um questionário aplicado alguns meses após o parto em seus lares. Outros estudos revelam que o ato de amamentar exclusivamente no peito durante os 6 primeiros meses é algo muito raro, tendo uma duração de 1,8 mês. E para completar é ofertado para a criança alimentos inadequados precocemente como leite de vaca, e sem contar a introdução de carboidratos simples no preparo da mamadeira, afetando assim a adiposidade do lactente gerando a obesidade (CORDEIRO et al., 2013). O leite de vaca além de possuir excesso de macronutrientes, possui altas concentrações de proteínas, que leva ao aumento dos níveis de IgF-1, resultando em um aumento rápido de peso na criança, já que esse hormônio desempenha papel semelhante à insulina, ocorrendo uma resistência periférica à insulina o qual é adipogênica. Além de sobrecarregar os rins que ainda estão imaturos (CORDEIRO et al., 2013). Já as fórmulas lácteas são hipercalóricas, elevando entre 15 a 20% do consumo energético da criança, mesmo em menor quantidade superando o leite materno nas calorias fornecidas. Possui 1,6 a 1,8 vezes mais proteína por quilo de peso, quantidade excessiva, podendo aumentar a secreção de insulina, estimulando maior captação da mesma pela célula e inibindo a lipólise, trazendo assim como consequência aumento do tecido adiposo e desencadeando obesidade (NOVAES et al., 2007; ARAUJO; BESERRA; CHAVES, 2006). Os alimentos pré-lácteos, comumente oferecidos aos bebês antes da amamentação, podem ocasionar lesões no intestino imaturo; o colostro acelera a maturação do epitélio intestinal e protege contra agentes patógenos[...]. (TOMA; REA, 2008).


Tabela 1. Conteúdo de nutriente do leite humano, das fórmulas lácteas e do leite de vaca por litro (MANN; TRUSWELL, 2009).

Fórmula
Nutriente
Leite humano maduro
A base de leite de vaca
A base de soja
Leite de transiçao
Leite de vaca com 3,3% de gordura
Energia Kcal
680
670
670
670
640
Proteína
10
15
19
17
32
Gordura(g)
39
36
37
33
36
Carboidrato(g)
72
72
69
79
48
 Fonte: Nutrição Humana 2009

 Segundo Araujo, Beserra e Chaves (2006) calcularam que 80% de crianças obesas serão adultos obesos. No decorrer da vida desencadearão transtornos metabólicos que resultarão no futuro em problemas metabólicos como: diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias e doenças cardiovasculares (infarto, embolia, aterosclerose, etc.). Também podem ocasionar como efeito colateral a apnéia do sono, problemas ortopédicos, distúrbios psicológicos e alguns tipos de cânceres, trazendo má qualidade de vida, gastos para os cofres públicos através de tratamento e internações. Assim, nomearam esse transtorno metabólico de “imprinting metabólico” e ocorre quando é introduzido alimentos precocemente em uma fase de desenvolvimento humano, produzindo efeito por toda vida, tornando o indivíduo mais predisposto à essas doenças (ALBERNAZ; VICTORA, 2003). Fatores bioativos estão envolvidos no leite materno como os hormônios insulina, T3 e T4, e leptina, que agem no hipotálamo proporcionando saciedade e regulando o balanço energético do metabolismo. Entre estes fatores, destaca-se principalmente a leptina, que é responsável pela regulação e homeostase energética. A leptina atua no hipotálamo diminuindo o apetite e as vias anabólicas e estimula as catabólicas. Logo após sinaliza para o cérebro que a quantidade ingerida de alimentos já é o suficiente, reduzindo assim a fome (BALABAN; SILVA, 2004). O consumo excessivo de carboidrato e proteína podem não ser totalmente metabolizados acumulando em forma de gordura no tecido subcutâneo, produzindo células adiposas constituindo assim o tecido adiposo. A adipogênese tem seu início na fase intra- uterina e termina aos 7 anos. Depois desse período ocorre somente diminuição ou aumento dessas células, ou seja, ganha ou perde peso (BALABAN; SILVA, 2004). Acredita-se que o indivíduo obeso, com um tecido adiposo excessivo, possua um ponto de ajuste mais elevado para o armazenamento de nutrientes e alcance da saciedade alimentar do que indivíduos com peso normal, promovendo assim um risco maior para uma hiperfagia e ganho de peso [...]. (ARAUJO; BESERRA; CHAVES, 2006). Foi realizado no Centro Educacional Católico de Brasília (CECB) um estudo com 134 pré -escolares entre três e cinco anos de idade, que fazem parte da classe média e alta. Foi encontrado sobrepeso e obesidade em 23,8% (n=32) . As crianças que amamentaram exclusivamente até o sexto mês apresentaram um total de 21,2% de casos de excesso de peso. Já as que amamentaram exclusivamente até o segundo mês apresentaram uma porcentagem maior de excesso de peso 26,7%. Observou-se também que quanto maior tempo de amamentação menor perímetro de cintura a criança apresentava. Com isso menor relação cintura/quadril reduzindo em 15% o risco de desenvolver obesidade. Isso demonstra que o aleitamento materno pode ser responsável pela distribuição de gordura corporal do infante (BALABAN et al., 2004). Outro estudo realizado em creches da prefeitura na cidade de Recife, com 409 crianças, apresentou que as crianças que amamentaram exclusivamente no peito 4 meses ou mais, tiveram menor índice de sobrepeso e obesidade (13,5%), já as que amamentaram exclusivamente tempo inferior à 4 meses, tiveram maior número de casos de excesso de peso (22,5%). Tal estudo não levou em consideração outros fatores que podem levar também o indivíduo à obesidade como: peso ao nascer, atividade física e ingestão energética atual (MORAES; GIUGLIANO, 2011). Um estudo realizado com 9.357 crianças de 5 a 6 anos na Alemanha, tiveram resultado positivo para crianças que receberam leite materno no mínimo 6 meses, reduzindo 30% casos de sobrepeso e 40% casos de obesidade (NOVAES et al., 2007). Esse mesmo autor avaliou 918 crianças na Alemanha, acompanhando a criança desde o nascimento até a criança completar 6 anos de idade, comprovou que o aleitamento materno até o sexto mês de vida como um ato de prevenção de sobrepeso e obesidade (NOVAES et al., 2007).


Atuação da Nutrição

 Atualmente essas informações importantes não estão sendo divulgadas como deveriam, havendo uma necessidade de mudanças urgentes na atenção básica. Foi criado então a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que constitui uma equipe de saúde levando mais qualidade de vida à comunidade. Dessa forma é possível aumentar o cuidado nutricional para os pacientes do SUS, transmitindo informações para uma boa alimentação e nutrição, promovendo assim mais saúde de forma econômica, sustentável, eficiente e prevenindo doenças relacionada à nutrição (DAL BOSCO; CONDE, 2013). Em 2008 foi criado o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), fazendo parte da equipe o profissional nutricionista (CFN, 2008). Podendo então o profissional atuar para promoção de saúde, incentivando o aleitamento materno como primeira prática alimentar, iniciando a alimentação complementar gradativamente, após 6 meses de idade. Essas orientações devem ser dadas com muita clareza, para não deixar dúvidas. A ENPACS (Estratégia Nacional para Alimentação Complementar Saudável) capacita os profissionais para transmitirem essas informações nas unidades básicas, tal ato que é de direito humano, que deve ser uma rotina no local, promovendo saúde para comunidade, proporcionando uma segurança alimentar (DAL BOSCO; CONDE, 2013). Principalmente agora, com o grande número de casos de obesidade, a amamentação passa a ter uma importância maior, visto que a obesidade tem sido motivo de muita preocupação para Saúde Pública (DAL BOSCO; CONDE, 2013). O aconselhamento no pré-natal tem tido resultados positivos, estimulando o ato de amamentar. É interessante algum parente participar também, como por exemplo o marido e a mãe da gestante. Nesse momento é importante tirar dúvidas da gestante, explicar os benefícios que o bebê terá com a amamentação, e revelar que vários mitos nutricionais que rodeiam a mãe durante a gestação e após o nascimento da criança, podem trazer indesejáveis consequências futura na vida da criança. Preparar a gestante explicando que o ato de amamentar é um momento delicado, que gera medo e desgaste, podendo até mesmo ter uma certa dificuldade no início, mas que vale a pena um esforço para saúde. Relatar também, as desvantagens do uso do leite não materno (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).


Conclusão 

 O nutricionista deve atuar no período gestacional dando orientações para as gestantes sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida da criança, prevenindo assim uma obesidade na infância e na vida adulta, situação pela qual o país enfrenta muitos casos. Com isso, aumenta-se a expectativa de uma vida mais saudável para a criança, e menos morbidade, menos internações com doenças como diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardiovasculares nos adultos.

Revista Nutrição em Pauta, edição Ago/2014


Particularmente, achei um artigo excelente e super esclarecedor! Espero que tenham gostado, pois trarei mais novidades relacionadas a nutrição. 
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